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Bolsa fecha em queda de 1,86% com nova cepa da Covid-19 e cautela nos mercados

Quando finalmente os mercados navegavam por águas calmas, uma nova cepa da covid-19 encontrada no Reino Unido – 70% mais infecciosa e que espalha o coronavírus mais rápido – impediu que o Ibovespa supere a sua máxima em 2020, de 119.593 pontos. O índice da B3 fechou em queda de 1,86% aos 115.822,57 pontos nesta segunda-feira (21).

A notícia da nova variante do vírus foi mal recebida a nível global, muitos países até fecharam suas fronteiras para os britânicos e impediram a chegada de voos.

As bolsas europeias tiveram uma segunda-feira de forte queda, que amenizou com a postura do primeiro-ministro britânico Boris Johnson de que caso necessário seria feito um novo lockdown e a declaração do diretor da OMS (Organização Mundial da Saúde) de que as vacinas já produzidas podem combater as diversas variantes da covid-19. Contudo, não foi suficiente para apaziguar os mercados.

Com os investidores tentando fugir do risco, o mercado europeu fechou o dia em queda generalizada. A maior perda ficou por conta da bolsa de Madri (IBEX35) que recuou 3,08%, aos 7.789,80 pontos.

Em Wall Street também foi um dia de cautela, os investidores ficaram divididos entre o temor com a nova cepa da covid-19 e o acerto de um novo pacote de estímulos. O S&P 500 fechou em baixa de 0,40%, Nasdaq caiu 0,10% e na contramão, o índice Dow Jones subiu 0,12%, revertendo as perdas do dia.

No Brasil, o Ibovespa acompanhou o pessimismo no exterior em um dia de vencimento de opções. A política permanece no radar do mercado doméstico, com Paulo Guedes acompanhando de perto as pautas do Congresso, para não ser pego de surpresa. O risco de votação da “bomba fiscal” com a PEC dos municípios deixou o mercado apreensivo, mas foi retirada da votação após o fechamento.

O dólar começou a semana em firme alta ante o real, mas chegou ao fim do pregão desta segunda-feira tomando distância das máximas de mais cedo, conforme a moeda norte-americana passou a perder fôlego no exterior e os mercados em Wall Street esboçavam alguma reação.

O dólar comercial fechou em alta de 0,785%, cotado a R$ 5,1228. Na máxima do dia, a moeda americana chegou a R$ 5,2251.

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Destaques da Bolsa

Entre os destaques positivos do dia subiu a Magazine Luiza (MGLU3) que fechou em alta de 1,96%. Murilo Breder, analista da Easynvest, explica que a companhia valorizou após informar nesta manhã que fechou um contrato para aquisição de 100% da Hub Fintech por R$ 290 milhões. Segundo Breder, este é um grande salto para o MagaluPay. “O cliente agora vai poder fazer transferência, pagar qualquer tipo de conta, recarregar celular e vale-transporte, utilizar o PIX e até sacar dinheiro em caixas 24h”, afirma.

Intermédica (GNDI3) e CSN (CSNA3) também figuravam entre as maiores altas do dia, avançando 1,52% e 1,51%, respectivamente.

No lado oposto do Ibovespa, as companhias que integram o “kit coronavírus” recuaram com a nova cepa. Gol (GOLL4) caiu 4,77%, seguida de Embraer (EMBR3) com queda de 4,58%.

A Cielo (CIEL3) também desvalorizou 4,27% nesta segunda-feira.

Entre as commodities, as petrolíferas foram impactadas diretamente com a nova cepa atingindo os preços do petróleo. As ações da Petrobras (PETR4) fecharam em queda de 3,84% e a PetroRio (PRIO3) se mostrou mais resiliente, com baixa de 0,26%.

Bolsas americanas

O índice S&P 500 fechou em leve baixa nesta segunda-feira, tendo recuperado de perdas acentuadas no início da sessão, enquanto investidores se dividiram entre a eclosão de uma nova e ameaçadora cepa da Covid-19 e o acerto de um pacote de estímulo há muito antecipado.

O Nasdaq também caiu, mas o setor financeiro ajudou o Dow Jones a reverter o curso e encerrar em modesta alta.

“O “rali de Natal” terá que esperar”, disse David Carter, diretor de investimentos da Lenox Wealth Advisors, em Nova York. “Notícias preocupantes sobre a Covid no Reino Unido lembraram aos mercados que a doença ainda não foi resolvida. O caminho à frente pode ser acidentado e incerto.”

O Congresso elaborou um acordo de ajuda à pandemia no domingo, após meses de disputas partidárias. O pacote de 900 bilhões de dólares, que deve ser aprovado nesta segunda-feira, inclui auxílio-desemprego, assistência a pequenos negócios e distribuição de vacinas, mas o valor em dólares ficou aquém do que muitos esperavam.

“O plano de estímulo fiscal parece grande o suficiente para conter uma recessão, mas não por muito tempo”, acrescentou Carter. “Mas, embora não seja tão grande quanto muitos participantes do mercado esperavam, inclui muitas ações significativas que podem apoiar os mercados.”

A Tesla Inc se tornou a empresa mais valiosa já adicionada ao S&P 500 e responderá por cerca de 1,69% do índice. As ações da montadora de carros elétricos caíram 6,5%.

Os bancos resistiram à tendência de queda no dia. O Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) divulgou os resultados de seu teste de estresse semestral na noite de sexta-feira e anunciou flexibilização de restrições sobre recompras e dividendos. O índice bancário do S&P saltou 2,7%.

Goldman Sachs Group subiu 6,1%, superando o preço das ações visto antes do início da crise da Covid-19.

O índice Dow Jones subiu 0,12%, a 30.216 pontos, enquanto o S&P 500 perdeu 0,40%, a 3.695 pontos. O índice de tecnologia Nasdaq recuou 0,10%, a 12.743 pontos.

Dos 11 principais setores no S&P 500, o financeiro e o de tecnologia foram os únicos a mostrar alta nesta sessão.

Boletim Focus

O mercado deu sequência aos aumentos nas expectativas para a inflação na pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central nesta segunda-feira, ao mesmo tempo em que reduziu as projeções para a taxa de câmbio em 2020 e 2021.

O levantamento semanal apontou que a expectativa para a alta do IPCA este ano passou a 4,39% de 4,35% no levantamento anterior, na 19ª semana seguida de aumento. Para 2021, a conta subiu em 0,03 ponto percentual, a 3,37%.

O centro da meta oficial de 2020 é de 4 por cento e, de 2021, de 3,75 por cento, ambos com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

Para o Produto Interno Bruto (PIB), a estimativa de contração em 2020 melhorou a 4,40%, contra queda de 4,41% prevista antes. Para 2021, a previsão de crescimento diminuiu em 0,04 ponto, a 3,46%.

Para a taxa de câmbio, o mercado vê agora o dólar a R$ 5,15 ao final deste ano, de R$ 5,20 antes. Para 2021, a expectativa é de que a moeda norte-americana termine a 5 reais, de 5,03 reais antes.

A pesquisa semanal com uma centena de economistas mostrou ainda que a taxa básica de juros deve terminar o ano que vem a 3%, sem alterações. O Top-5, grupo dos que mais acertam as previsões, ajustou seu cenário para a Selic no ano que vem a 3%, de 3,13% na mediana das estimativas antes.

Bolsas na Europa

As bolsas da Europa encerraram a sessão desta segunda-feira (21) em forte queda. Investidores fogem do risco após o Reino Unido confirmar uma nova cepa do coronavírus, 70% mais infecciosa, de acordo com o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson. A notícia já leva autoridades a ampliar restrições para conter a disseminação da doença. A França chegou a fechar a fronteira com a Grã-Bretanha.

O índice pan-europeu Stoxx 600 fechou o dia em baixa de 2,30%, a 386,79 pontos. De olho na variante do novo coronavírus e em meio à agenda esvaziada da semana do Natal, agentes do mercado decidiram embolsar lucros até que as incertezas envolvendo a mutação sejam arrefecidas. Países como Áustria, Bélgica, Índia e Itália já suspenderam voos do Reino Unido, penalizando papéis de empresas áreas.

O índice FTSE 100 fechou em queda de 1,73%, a 6.416,32 pontos. Por lá, as ações da IAG, controladora da British Airways, despencaram 7,80%. Já o DAX, de Frankfurt, encerrou o pregão em baixa de 2,82%, a 13.246,30 pontos.

Em Paris, o índice CAC 40 recuou 2,43%, a 5.393,34 pontos, com a ação da Peugeot caindo 2,30%. Hoje, a Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia, aprovou a fusão da montadora Fiat Chrysler Automobiles (FSA) com a Peugeot, segundo comunicado emitido nesta segunda-feira. A transação vai resultar no quarto maior grupo automotivo do mundo, que receberá o nome de Stellantis. A FSA terminou a sessão com perda de 2,19% no índice FTSE MIB, de Milão, que caiu 2,57%, a 21.410,51 pontos.

O Ibex 35, de Madri, por sua vez, cedeu 3,08%, a 7.789,80 pontos, acompanhado pelo PSI 20, de Lisboa, que baixou 2,19%, a 4.658,49 pontos.

*Com Reuters e Agência Estado

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