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Bolsa vira e fecha em queda puxada por Petrobras; dólar cai

A bolsa de valores brasileira mudou de sentido e fechou em queda nesta segunda-feira (8), puxada pelo recuo da Petrobras (PETR3 e PETR4), descolando-se da tendência positiva dos mercados no exterior. Já o dólar terminou o dia em queda ante o real, em meio a maiores perspectivas em relação ao pacote de ajuda fiscal nos Estados Unidos.

O principal índice da B3, o Ibovespa, caiu 0,45%, aos 119.696 pontos. Acompanhe mais cotações em tempo real.

As ações ordinárias da Petrobras (PETR3) caíram 4,14% e as preferenciais (PETR4), 3,14%, puxando o Ibovespa para baixo devido ao peso importante que têm sobre a composição do índice. A empresa afirmou em comunicado nesta segunda que sua política comercial não foi alterada e a companhia segue a precificação de combustíveis alinhada aos preços internacionais. A afirmação vem após a companhia ter confirmado na sexta-feira que ampliou de três meses para um ano o prazo em que calcula a paridade internacional de preços dos combustíveis.

Já o dólar comercial fechou a R$ 5,3706, caindo 0,23%. Apesar da queda, no entanto, a moeda se afastou do das mínimas do dia, quando chegou a R$ 5,30. A queda perdeu força após o presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), dizer que não se pode vincular um novo auxílio emergencial a PECs que poderiam compensar aumento de gastos.

Exterior e cenário interno

Nesta segunda, maiores expectativas em relação à aprovação de um pacote de auxílio fiscal nos EUA animaram os principais mercados em todo o mundo. Dados da semana passada mostraram que a criação de vagas de trabalho nos EUA ficou abaixo do esperado em janeiro, enquanto as perdas de emprego no mês anterior foram mais profundas do que se pensava inicialmente, fortalecendo o argumento a favor de alívio adicional por parte do governo.

Enquanto isso, no Brasil, a atenção ficava nas discussões em torno de mais medidas de auxílio emergencial, em meio a persistentes incertezas fiscais.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, voltou a defender a necessidade de se buscar um formato de assistência social aos mais atingidos pela crise do coronavírus e, ainda assim, respeitar o teto de gastos.

Nesta tarde, o deputado Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara, confirmou que há já um acordo entre o presidente Jair Bolsonaro e os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado para que o governo crie um novo auxílio emergencial.

Em meio a esses ruídos, os investidores seguem à espera de avanços concretos em direção ao aperto dos gastos no país, já que os níveis recordes da dívida pública têm sido motivo de preocupação, enquanto torcem pela retomada da agenda de reformas estruturais do governo.

Na semana passada, o Ibovespa fechou seu último pregão em alta de 0,82%, aos 120.240 pontos, acumulando ganho de 4,5%. O dólar encerrou a sexta-feira negociado em R$ 5,3831, caindo 1,21%, com saldo negativo de 1,6% na semana.

Outros destaques da bolsa

COSAN ON (CSAN3) saltou 8,57%, após a Raízen anunciar acordo para comprar a Biosev, uma das maiores empresas do setor, em uma transação que envolverá pagamento de R$ 3,6 bilhões e ações. A Raízen é uma joint venture da Cosan e da Shell. BIOSEV ON (BSEV3) teve alta de 3,46%, após disparar 12,55% na máxima.

CSN ON (CSNA3) subiu 3,65%, melhor desempenho do setor de mineração e siderurgia, com precificação do IPO de sua unidade de mineração aguardada para a sexta-feira. USIMINAS PNA (USIM5), que divulga balanço dia 11, valorizou-se 1,09%. VALE ON (VALE3) avançou 1,42%, favorecida pela alta dos futuros do minério de ferro na China, o que ajudou a reduzir fortemente a pressão sobre o Ibovespa.

JALLES MACHADO ON (JALL3) disparou 8,92%, a R$ 9,04, em estreia na B3, após precificar IPO a R$ 8,30 por papel, em operação que movimentou R$ 741,5 milhões. O preço ficara abaixo da faixa estimada pelos coordenadores, de R$ 10,35 a R$ 12,95. Na máxima, a ação chegou a R$ 9,99.

FOCUS ENERGIA ON (POWE3) despencou 13,15%, a R$ 15,65, após precificar IPO a R$ 18,02 por papel, abaixo da faixa indicativa de R$ 21,20 a R$ 28,6 cada, em operação que movimentou R$ 887,4 milhões. No pior momento, a ação chegou a R$ 15,40.

Bolsas globais

Os principais índices de Wall Street alcançaram máximas históricas nesta segunda-feira, com investidores apostando na esperança de que um pacote de alívio fiscal e uma vacinação global levarão a uma rápida recuperação econômica.

  • O índice Dow Jones subiu 0,76%, a 31.386 pontos
  • O S&P 500 ganhou 0,739935%, a 3.916 pontos
  • O índice de tecnologia Nasdaq avançou 0,95%, a 13.988 pontos.

Os mercados acionários europeus fecharam em alta nesta segunda, uma vez que o apetite por risco aumentou em razão da esperança de uma recuperação mais rápida e em meio a acordos corporativos multibilionários. O índice pan-europeu STOXX 600 subiu 0,3%, após acumular valorização de 3,5% na semana passada, em linha com o sentimento otimista nos mercados globais. 

  • Em LONDRES, o índice Financial Times avançou 0,53%, a 6.523,53 pontos.
  • Em FRANKFURT, o índice DAX subiu 0,02%, a 14.059,91 pontos.
  • Em PARIS, o índice CAC-40 ganhou 0,47%, a 5.686,03 pontos.
  • Em MILÃO, o índice Ftse/Mib teve valorização de 1,48%, a 23.425,92 pontos.
  • Em MADRI, o índice Ibex-35 registrou alta de 0,05%, a 8.219,00 pontos.
  • Em LISBOA, o índice PSI20 valorizou-se 0,27%, a 4.854,49 pontos.

As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta nesta segunda-feira, em meio a expectativas sobre o pacote fiscal nos EUA e crescente otimismo sobre a recuperação da economia global. A exceção foi o mercado sul-coreano, que caiu após as montadoras Hyundai e Kia negarem estar em negociações com a Apple para desenvolver carros autônomos.

  • O índice acionário japonês Nikkei saltou 2,12%, a 29.388,50 pontos
  • Hang Seng teve modesta alta de 0,11% em Hong Kong, a 29.319,47 pontos
  • Na China, o Xangai Composto subiu 1,03%, a 3.532,45 pontos
  • Shenzhen Composto avançou 1,21%, a 2.360,78 pontos.
  • Em Taiwan, o mercado local não operou devido a um feriado.
  • Na bolsa de Seul, índice acionário Kospi caiu 0,94%, aos 3.091,24 pontos.
  • Na Oceania, o S&P/ASX 200 avançou 0,59% em Sydney, a 6.880,70 pontos

*Com Estadão Conteúdo e Reuters