Ibovespa fecha nos 118 mil pontos com temores fiscais e ignora NY; dólar sobe – últimas notícias – vagasemprego
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Ibovespa fecha nos 118 mil pontos com temores fiscais e ignora NY; dólar sobe

O Ibovespa fechou em queda de 1,10% aos 118.328,99 pontos nesta quinta-feira (21), este foi o terceiro pregão no vermelho para o índice da B3.

Enquanto o mundo está otimista com o novo governo de Biden, que deve trazer mais estímulos econômicos, os brasileiros estão preocupados com a situação fiscal do país.

Após o Banco Central desfazer o seu compromisso de não elevar a Selic, novos riscos fiscais e políticos surgem no radar dos investidores. O índice da B3 também acompanhou o avanço de novos casos de covid-19 no país, o que deu espaço para a realização de lucros.

Enquanto os índices S&P 500 e Nasdaq renovaram recordes hoje, o Ibovespa fica cada vez mais distante da máxima registrada em janeiro, quando superou os 125 mil pontos.

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As preocupações aumentaram em meio a declarações do candidato à presidência do Senado Federal Rodrigo Pacheco (DEM-MG) de que haverá discussão sobre nova ajuda a famílias na primeira semana do novo comando do Congresso e de que será preciso sacrifício de premissas econômicas para manter o socorro. Pacheco é apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro.

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Além disso, o agravamento da pandemia em meio à percepção de desorganização no governo tem tido efeitos sobre a popularidade do presidente Bolsonaro, alimentando temores no mercado de criação de mais despesas – o que ameaçaria o teto de gastos, visto pelo mercado como âncora fiscal do país.

“O descalabro fiscal custa mais no curto e longo prazo do que uma perspectiva, já precificada, de menor crescimento no início do ano com a retirada do auxílio, sendo que a vacina pode criar uma perspectiva mais positiva ao fim do ano”, comentou o economista-chefe da Infinity Asset , Jason Vieira, ao InvestNews.

“Sem dúvidas, o auxílio emergencial em curto prazo é uma solução ótima para as empresas e atividade, mas no longo prazo a continuidade do déficit público deve pressionar a curva de juros longa, aumentando o custo de capital do investidor e reduzindo o valuation das empresas”, avalia Flávio Aragão, sócio da 051 Capital.

“Isso afasta os investidores estrangeiros do mercado, desestimula as empresas a fazerem investimentos, o que gera um ciclo péssimo para o desenvolvimento econômico no longo prazo. Então, na prática, o mercado vê o auxílio como uma solução de curto prazo que pode causar um dano profundo no longo prazo”, afirmou Aragão ao InvestNews.

O analista José Falcão, da Easynvest, comenta que “as contas públicas não aguentam mais”. “Não adianta um respiro de 6 meses para morrer afogado depois. O país perde credibilidade, não consegue tomar dívida – o que pode pressionar os juros e o câmbio. Juros alto e estagnação geram um problema estrutural mto maior.”

Na contramão, a decisão do Banco Central sobre os juros trouxe um alívio para o mercado de câmbio. O dólar fechou em alta nesta quinta-feira, diante da aversão ao risco dos investidores pelas preocupações fiscais.

O dólar comercial fechou em alta de 0,985%, cotado a R$ 5,3641. Na máxima do dia, a moeda americana chegou a R$ 5,4004.

Destaques da Bolsa

Entre as maiores altas do dia subiram: as ações da PetroRio (PRIO3) que valorizaram 4,90%, seguidas de B2W (BTOW3) e Copel (CPLE6) que avançaram 2,62% e 1,77%, respectivamente.

A Copel subiu na contramão do setor elétrico, após aprovar uma nova política de dividendos que deve aumentar a remuneração dos acionistas e tornar a distribuição mais previsível.

No lado oposto do Ibovespa, recuaram os papéis da Eletrobras (ELET6,ELET3) com desvalorização de 6,15% e 5,15%, respectivamente, após o senador Rodrigo Pacheco não incluir a privatização da elétrica entre os projetos urgentes da Casa.

Caíram também a Eztec (EZTC3) que fechou em baixa de 5,64% e a Cyrela (CYRE3) que cedeu 5,35%.

Um possível aumento na taxa de juros, sinalizado pelo Banco Central, atrapalharia o setor de construção civil que durante a crise encontrou na Selic baixa uma janela de oportunidades.

Bolsas americanas

 Os índices S&P 500 e Nasdaq encerraram em máximas recordes nesta quinta-feira, impulsionados pelo otimismo com a perspectiva de mais alívio à pandemia no governo Biden para apoiar a economia depois que dados mostraram uma recuperação morna do mercado de trabalho.

O número de norte-americanos que entraram com novos pedidos de seguro-desemprego caiu para 900 mil na semana passada, patamar ainda resistentemente alto, enquanto a pandemia da Covid-19 propaga-se pelo país, aumentando o risco de que a economia registre perda de empregos pelo segundo mês consecutivo em janeiro.

Dow Jones recuou 0,04%, aos 31.176,01 pontos, o S&P 500 fechou em alta de 0,02%, aos 3.853,08 pontos, e o Nasdaq valorizou-se 0,55%, aos 13.530,92 pontos.

Bolsas europeias

As bolsas da Europa fecharam em queda nesta quinta-feira (21), após o Banco Central Europeu (BCE) sinalizar a contínua deterioração das perspectivas econômicas em meio ao avanço do coronavírus pelo continente.

Apesar disso, o índice pan-europeu Stoxx 600, que reúne as principais ações da região, encerrou em leve alta de 0,01%, a 410,89 pontos.

Conforme esperado pelo mercado, o BCE não fez alterações nos principais pilares da política monetária acomodatícia, mas indicou que os riscos para a economia apontam para o negativo. Em coletiva de imprensa após o anúncio, a presidente da instituição, Christine Lagarde, disse que acredita que a ressurgência dos casos de covid-19 e atrasos no processo de vacinação devem continuar pesando sobre a atividade no primeiro trimestre de 2021.

“No médio prazo, a recuperação da economia da zona do euro deverá ser apoiada por condições de financiamento favoráveis, uma orientação orçamentária expansionista e uma recuperação da demanda, à medida em que as restrições são retiradas e a incerteza diminui”, afirmou.

A Capital Economics avalia, em relatório, que o BCE não deve ajustar os instrumentos no primeiro trimestre deste ano. “Mesmo que alguns dos riscos negativos se materializem, as implicações na política serão limitadas”, pontuou.

Os comentários de Lagarde espalharam cautela pelos mercados europeus.

  • O índice DAX, de Frankfurt, caiu 0,11%, a 13.906,67 pontos, enquanto o FTSE 100, de Londres, cedeu 0,37%, a 6.715,42 pontos, na mínima do dia.
  • Em Milão, o FTSE MIB recuou 0,98%,a 22.428,93 pontos, de olho na crise política enfrentada pelo primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte.
  • Em Paris, a ação da AirFrance-KLM se desvalorizou 3,15%, depois que o braço da KLM anunciou que cortará mais de mil empregos por conta das dificuldades impostas pela pandemia. Com isso, o índice CAC 40, referência no mercado francês, recuou 0,67%, a 5.590,79 pontos
  • Em Lisboa, o PSI 20 perdeu 0,28%, a 5.055,77 pontos, enquanto o Ibex 35, de Madri, baixou 1,00%, a 8.122,10 pontos.

*Com informações da Reuters e Agência Estado

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