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Veja a lista de países que possuem BCs autônomos ou independentes

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (10) o texto-base de projeto que confere autonomia do Banco Central, de forma a garantir à instituição financeira que execute suas tarefas sem risco de interferência político-partidária.

Simbolicamente pinçada como a primeira medida a ser votada sob a gestão do novo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), a proposta seguirá à sanção presidencial caso não seja alterada pela Casa durante a análise de emendas ao texto. Deputados devem votar ainda pelo menos cinco emendas em votações separadas.

Autonomia x independência: qual a diferença?

Um banco central é considerado independente quando tem o poder para definir, por conta própria, suas metas e objetivos. É o caso da definição da meta de inflação. Ele também tem liberdade operacional para definir como atuará para atingir as metas. As decisões não podem ser alteradas pelos governantes.

Já um banco central é autônomo quando tem liberdade para definir como atuará para atingir suas metas. As metas, por sua vez, não são definidas pelo próprio banco central. No Brasil, a meta de inflação é definida pelo Comitê de Política Monetária (CMN), formado por dois representantes do Ministério da Economia e um do Banco Central. Nesse caso, as decisões do banco central para atingir as metas não podem ser revertidas pelos governantes.

Pelo mundo, diversos países já possuem autonomia ou independência para conduzir a política monetária. São eles:

  • Chile
  • Nova Zelândia
  • África do Sul
  • Albânia
  • Colômbia
  • Filipinas
  • Indonésia
  • Japão
  • México
  • Peru
  • Polônia
  • Reino Unido
  • Rússia
  • Suécia
  • Armênia
  • Coreia do Sul
  • Gana, Geórgia
  • Islândia
  • Israel
  • República Checa
  • Romênia, Suíça
  • Tailândia
  • Turquia
  • Estados Unidos
  • Países da zona do euro (BCE)

BC autônomo no Brasil

Já analisado pelo Senado, o projeto inicialmente tratava da nomeação e demissão do presidente e diretores do Banco Central do Brasil. Mas durante a votação, senadores alteraram a proposta para também abordar a autonomia e os objetivos do BC.

MAIS: Autonomia do BC: o que significa?

A proposta também estabelece que o Banco Central terá o status de “autarquia de natureza especial”, sem subordinação a qualquer ministério.

A instituição financeira seguirá atuando pela estabilidade do poder de compra da moeda, seu objetivo principal. O texto elenca, dentre os objetivos secundários do BC, a tarefa de zelar pela estabilidade e eficiência do sistema financeiro, suavizar as flutuações do nível de atividade econômica e fomentar o pleno emprego.

Há ainda a previsão de um escalonamento para a indicação do presidente e diretores do BC. O mandato do presidente do Banco Central do Brasil terá duração de quatro anos, com início no dia 1º de janeiro do terceiro ano do mandato do Presidente da República.

Dois diretores terão mandatos com início no dia 1º de março do primeiro ano de mandato do presidente da República; dois a partir de 1º de janeiro do segundo ano do mandato do residente da República; outros dois em 1º de janeiro do terceiro no do mandato do presidente da República; e mais dois diretores com mandatos a partir do quarto ano do mandato do Presidente da República.

Por trás do estabelecimento de mandatos fixos para o presidente e para os diretores da autarquia – com mandatos não coincidentes com o do presidente da República -, está a ideia de afastar qualquer ingerência política sobre as decisões do BC em sua missão de controlar a inflação.

Há ainda dispositivo que trata da exoneração de presidente e diretores do BC, que poderá ocorrer a pedido, por enfermidade que incapacite o titular para o cargo, diante de condenação por improbidade administrativa ou crimes que impeçam o acesso a cargos públicos em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado, ou quando “apresentarem comprovado e recorrente desempenho insuficiente para o alcance dos objetivos do Banco Central do Brasil”.

A autonomia formal do BC é considerada há anos crucial pela autoridade monetária, tendo sido formalmente colocada na agenda prioritária do BC na gestão do ex-presidente Ilan Goldafajn, no governo Michel Temer. Antes, a então presidente Dilma Rousseff chegou a se posicionar a favor da autonomia “relativa” do Banco Central.

*Com Estadão Conteúdo